Resistência à fraqueza!

 

Esta tristeza que me assiste,

esta fraqueza que persiste,

são lágrimas pendentes,

são como tempestades irreverentes.

 

São verdadeiras predadoras,

aguardando a sua frágil presa.

São eternas sonhadoras

que aspiram à realeza.

 

Assim dominam as mentes,

refugiando-se no recôndito ser,

alastrando-se como nascentes,

vingando o caminho a percorrer.

 

Mas esta tristeza e esta fraqueza

que contra mim se uniram

encontrarão antes a certeza

de que de mim não se apoderam.

 

Elisabete Martins de Oliveira

18.05.2018

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Inspiração e Escrita

Para mim, a inspiração é uma sensação simultaneamente física e mental de calma, relaxamento e um batimento cardíaco mais lento que reveste o coração com o esplendor da criação. É mágico. É nestes momentos, em que este conjunto de sensações me invade, que subitamente a minha mente se enche de vontade de escrever. A inspiração não me podia deixar mais feliz. No entanto, ela nem sempre se encontra lá, anda desaparecida, vagueando, quem sabe, na mente de outras pessoas que também chamam por ela.

E esta deve ser, talvez, a maior lição para um escritor: é que a inspiração nem sempre nos visita. Existem mil e uma razões para tal, e uma delas é que as nossas experiências, e o recheio emocional que trazem consigo, nem sempre nos permitem deixar espaço para tal motivação. E isto acontece, por vezes mais vezes do que desejamos. O que eu aprendi, todavia, é que Escrita encontra-se dentro do escritor independentemente de a inspiração invadir o seu âmago. Por vezes, basta reservarmos um tempo para nós, sentarmo-nos e deixarmos que a nossa mente, as nossas ideias, as palavras, fluam na sua natural liberdade na folha em branco. Este momento é tão aprazível quanto a bem-vinda visita da inspiração. Tal significa que, com ou sem inspiração, o escritor é um guerreiro na arte da palavra que consegue o feito fantástico da fascinante criação literária.

 

Elisabete Martins de Oliveira

04.05.2018

Um tanto só e somente isso

Sinto-me um tanto só e é somente isso. Sinto que a solidão, que me assiste sistematicamente, sorri sarcasticamente. E eu assim me sinto, só, escutando o som de suaves sonetos que soam a serenidade. A minha sanidade não é segura, é antes saciada pela insalubridade da incerteza. Soam estranhos, os sons sádicos da insanidade. Soam a saltos que não singram na sua função. Soam a sapiência surripiada, soam a sanção e a coerção.

E eu assim me sinto. Só, sem conseguir sarar o sacrifício, sem a insaciável sabedoria.

 

Elisabete Martins de Oliveira

04.05.2018

Cão

Cão é coração,

é amor sem condição,

uma luz querida

na manhã florida.

 

É olhar meigo,

típico de amigo.

É ternura e calor

que atenuam a dor.

 

É real lealdade,

verdadeira fraternidade.

É pura compreensão,

Sem verbal comunicação.

 

É partilha de emoções,

como lindas canções.

É um verdadeiro amor,

A que dou grande valor.

 

É um abraço sincero,

aquele que realmente quero,

É uma genuína amizade

que levo comigo para a eternidade.

 

Elisabete Martins de Oliveira

23.04.2018

Ser Amigo

Ter uma amizade que perdure é um tesouro que levaremos para o resto da nossa vida. É importante, é mágico. É a partilha, a saudade, a dedicação e o amor. E podem não ser muitos os que permanecem na nossa vida, mas não faz mal. Os que connosco percorrem este percurso que é a vida, e que se encontram a nosso lado independentemente do que aconteça, são os verdadeiros, aqueles que mais devemos estimar. E haverão aqueles que, talvez no início, ou talvez a meio deste caminho, se afastarão, por diversos motivos, para procurarem outros amigos. E isto vai acontecer. No entanto, o importante é provarmos que ainda estamos aqui, porque os verdadeiros amigos são aqueles que permanecem independentemente do que ocorra, lembras-te?

E por esse motivo, eu sei que, a menos que me magoes de modo a que não te consiga perdoar, eu estarei aqui, perto ou longe, para te receber depois dessa longa viagem que fizeste, talvez até depois de te aperceberes que, talvez, talvez eu tenha sido das únicas pessoas que verdadeiramente te compreendeu.

 

Elisabete Martins de Oliveira

12.04.2018

Imóvel

O tempo pára no instante em que me deparo com a realidade diante dos meus olhos. Não é ficção, antes fosse, antes me pudesse redimir, fugir daqui, para um outro lado qualquer.

Mas os meus pés não se movem. E isto é aflitivo.

O meu corpo, petrificado, ali permanece, a minha mente voa dali para fora e observa-me como uma espectadora.  Vê-me ali, imóvel, revestida pelo medo que me deteriora, e nada faz para o mudar. Agora, é como se fôssemos duas. A minha mente abandona-me no instante em que mais necessito, no momento em que preciso de um comando de acção para sair dali.

Preciso, preciso. Mas ela não responde.

Por favor., imploro-lhe, mas ela não me escuta.

Talvez seja um conflito. Talvez o meu corpo se recuse a mexer-se perante as ordens da minha mente.

Não é fácil, e parece já ser tarde demais. As chamas alastram-se pelo verde, pela Natureza que não pediu para morrer, e eu oiço os seus gritos silenciosos, qual comunicação extra-espécie peculiar.

Fecho os olhos, sinto o vulto áspero de calor percorrer o meu corpo, a minha mente, em sintonia. Mas essa sintonia ainda não me permite mexer.

Inspiro o ar com toda a força, os meus pulmões agora contaminados, e no momento em que abro os olhos…

 

Elisabete Martins de Oliveira

07.04.2018

Singularidade

Constantemente, procuramos alguém neste mundo que partilhe dos nossos ideais, crenças, valores e até emoções, na esperança de não nos sentirmos sós perante aquilo que defendemos. É por esse motivo que pertencemos a grupos, a comunidades, para sentirmos que pertencemos. Contudo, não existe ninguém que defenda com exactidão e precisão as nossas perspectivas e opiniões.

Existem autores, escritores, poetas, pintores, músicos e heróis nos quais nos inspiramos, dos quais retiramos lições de vida e até lemas, mas eles são diferentes de nós, porque cada um de nós é único.

Em cada parágrafo, em cada frase, em cada palavra buscamos algum sentido para a nossa existência, como se o que somos tivesse de ter um nome… mas e se não tiver? E se a nossa realidade for uma fantasia que ninguém compreende, reconhece, ou com a qual não se identifica? Existem tantos mundos dentro do nosso mundo singular que se torna impossível haver nomes e nomenclaturas para todos eles.

Há coisas que são só nossas. E devemos reconhecê-as como únicas, próprias de quem somos. E, para isso, não precisamos de alguém que nos reconheça ou nomeie quem somos realmente.

Elisabete Martins de Oliveira

31.03.2018